Conversa vai, conversa vem.
(crônica baseada no depoimento de Alex Anhumas no FACEBOOK)
Quase nada acontecia por aqueles
lados. Quase , porque o nada é muito pesado na vida de qualquer um. Sempre
precisamos de algo para nos equilibrar.
A calma, oriunda da tranquilidade
do local, se traduzia na brisa amena e no odor das flores. Tudo ali era muito
bem cuidado. Do piso impecavelmente limpo ao quintal, onde se tinha a impressão
de que até os animais domésticos colaboravam. Nada fora do lugar.
A chegada da família de amigos
trouxe imensa alegria àquele casal recentemente unido pelo amor maduro. Ambos
na casa dos cinqüenta anos, mutilados por perdas inevitáveis que a morte
provoca. O presente fora tão bem vindo que era possível notar a felicidade no
semblante de cada um.
Conversa vai, conversa vem e o
inusitado acontece. Um mundo de lembranças se aflora na mente do jovem
visitante que acompanhava os pais e que passa a observar tudo ao seu redor. As
tecnologias pareciam inexistir, a não ser pelo som de um rádio antigo. Do café,
servido na caneca esmaltada, ressurge sua infância vivida num mundo aonde o som
principal vinha da orquestra que só as aves sabem compor. O campo fora o seu
berço e a casa simples, mas esmeradamente cuidada, seu quartel general. Os
avós, uma companhia constante. Com as lembranças veio também a saudade de um
mundo muito diferente do atual, repleto de conforto e facilidades, que
extrapola os nossos sentidos e nos faz pensar que o mundo não ultrapassa certas
fronteiras.
Ao despedir-se, valorizou esse
quase fim de mundo, em que tudo é traduzido no que é bom quando é a natureza
que se eleva no pleno viver. Na alegria saudável de pouco querer.