quarta-feira, 11 de junho de 2014

CONVERSA VAI, CONVERSA VEM.

Conversa vai, conversa vem.
(crônica baseada no depoimento de Alex Anhumas no FACEBOOK)
                   Quase nada acontecia por aqueles lados. Quase , porque o nada é muito pesado na vida de qualquer um. Sempre precisamos de algo para nos equilibrar.
                   A calma, oriunda da tranquilidade do local, se traduzia na brisa amena e no odor das flores. Tudo ali era muito bem cuidado. Do piso impecavelmente limpo ao quintal, onde se tinha a impressão de que até os animais domésticos colaboravam. Nada fora do lugar.
                  A chegada da família de amigos trouxe imensa alegria àquele casal recentemente unido pelo amor maduro. Ambos na casa dos cinqüenta anos, mutilados por perdas inevitáveis que a morte provoca. O presente fora tão bem vindo que era possível notar a felicidade no semblante de cada um.
                 Conversa vai, conversa vem e o inusitado acontece. Um mundo de lembranças se aflora na mente do jovem visitante que  acompanhava  os pais e que  passa a observar tudo ao seu redor. As tecnologias pareciam inexistir, a não ser pelo som de um rádio antigo. Do café, servido na caneca esmaltada, ressurge sua infância vivida num mundo aonde o som principal vinha da orquestra que só as aves sabem compor. O campo fora o seu berço e a casa simples, mas esmeradamente cuidada, seu quartel general. Os avós, uma companhia constante. Com as lembranças veio também a saudade de um mundo muito diferente do atual, repleto de conforto e facilidades, que extrapola os nossos sentidos e nos faz pensar que o mundo não ultrapassa certas fronteiras.
                Ao despedir-se, valorizou esse quase fim de mundo, em que tudo é traduzido no que é bom quando é a natureza que se eleva no pleno viver. Na alegria saudável de pouco querer.