sábado, 8 de fevereiro de 2014

Chamada Especial (crônica)

Chamada Especial (crônica)
O dia fora quente e pesado. Quente porque o calor parece emanar de um vulcão e pesado porque a profissão exige o desempenho de tarefas  que nos leva ao desgaste físico e mental.
Essa era a rotina de Lenny, apelido que ela adotara em represália à escolha do seu nome: Helena. Não bastasse  ser a sofredora preferida do Maneco, ela era mais uma “vítima” de um quotidiano de muita aula e pouca recompensa. A dedicação plena aos seus afazeres, aqueles que rendiam o sustento, deixava marcas visíveis no seu dia a dia doméstico. Esquecia-se disto e daquilo e logo vinha aquele sentimento de culpa. Sabia que não poderia por a culpa na falta de tempo para alguma coisa que deixara de fazer, pois essa é uma atitude de quem não concilia o que faz na vida.
Mas algo aconteceu, que deixou sua marca para servir-lhe de exemplo.
Já passava das dezenove horas quando Cid, em homenagem a El Cid, chegou.
_ Oi querida! Teve um dia calmo?
_ Ah ... Ainda bem que é quarta-feira. O meio da semana me vislumbra como um oásis. Você me ligou do seu telefone restrito agora há pouco?
_ Não. Por que?
_ Você sabe o número do celular de Deus?
_O quê?
_ O número do celular de Deus. É restrito?
_ Piorou. Quer se explicar melhor? Alguma piada nova? Não vejo nenhuma coruja por perto.
_ Quando fui abrir a porta, o meu celular tocou. Voltei-me para o lado de onde vinha o som e deparei-me com minha bolsa dependurada do lado de fora do portão, onde a esquecera após abri-lo. Deixei o carro para você guardar, como sempre.
_ Esse calor deve estar prejudicando os seus reflexos. Essa sua bolsa é um pedaço de você. Inseparável. Posso dar um palpite? Se não foi Deus que ligou, foi aquele “ghost” que gosta muito de você.  
Não satisfeita, Lenny fez uma pesquisa e descobriu que apenas uma amiga tinha um número restrito e que não lhe ligara. Difícil foi ter que explicar o por quê das ligações, quando exigida.

Salva pelo gongo ou pela chamada especial, concluiu que o melhor era esquecer. Ou rezar e agradecer. Teve o devaneio interrompido: _ mãe, vamos assistir ao “Mundo de Sofia”? Coincidência? Sei não!!!!!

08/02/2014

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